25.2.10

o leite que renasceu na coalhada, despertou um novo movimento de fome. como o braço que acordou o corpo no jogo, e trouxe no suor a liberdade dos pensamentos dessa complexidade inentendível do mundo. pois não há dicionário que explique tanta diferença, não há beleza mais profunda, nem origem mais certa de tanta tristeza.
captei em alguns olhares que: o que seria do tempo se esquecêssemos as velas? o que seria de nós se abandonássemos o sinal? o que seria do homem se abraçasse um rio?
para onde vamos se não pensamos? e para onde não vamos se não sentimos? vejo, então, a força de uma corrente que arrasta boa parte de nós enquanto ainda dormimos e convence outro tanto daqueles que por segundos acordam e escutam o canto do sabiá.
fico assim procurando tesouros atrás dos olhares, um bom valor para minhas mãos aos cuidados dos corações. o bom seria uma rezinha antiga aprendida na infância que só falasse de amor e encontro. mas isso eu não aprendi, pois a igreja enterrou, na áfrica e em outros cantos, essas rezinhas de paz. bom, então, é sentir a comunicação espiritual e ouvir a rezinha vir sem frase, sem nada, no fechar os olhos, sentir a respiração e ouvir o tambor dentro do peito.

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