21.6.12

Pé de Moleque


Amoleceu quando acordou de manhã e viu o leitinho pronto. Com chocolate, preparou a mochila, escovou os dentes e deixou a água escorrer como gasta. No chinelo percebeu estrago, tinha dito algo errado, tinha culpado o amigo mais zuado, tinha sido ele mesmo a trombalhar. Nunca escutou os mais velhos ele já nasceu adulto. Nesse mundo, o tempo tem cheiro: pé de moloque. Estranho quando passa, o tempo nesse mundo atrasa os nossos passos. Poderíamos fazer mais sem ranger os dentes, mas avançamos sinal vermelho totalmente nus. Nesse mundo o tempo é um veado. Atabalhoado, torna-se o primeiro a chegar por acaso, encontrou do outro lado e ninguém viu passar. Esse tempo, nesse mundo, é um destempero assado. Caminho sim, perfurado, somente para estar do seu lado naquele minuto exato que esqueceram de contar. O moleque, sentado cabisbaicho, joelho ralado, espera o tempo sentar ao seu lado. Na sala da diretora, aquele relógico quadrado, ni niguém mostrou que outro lado, ali onde o tempo pára, se podia imaginar que sua bola não chegaria.


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