8.8.12

Pamela Assada

Santa, ela esperava sentada. Abaixou a cabeça quando veio a bronca atirada: espatifou, na parede errada. Cara amarrada ela nunca está assim Pamela assada. Sempre livre avuada, borboleta chama ela beijaflor. Ela me disse que iria, me fingiu que queria, e eu acreditei. Pegou na minha mão, Pâmela me contou que já não queria flor, não queria amor. Queria viajar, queria fumar, queria amar, queria desamarrar, família disse: Santa.
Pamela gritou por dentro em silêncio sua boxexa rosou. Rapidamente escreveu uma carta tava mesmo emocionada tava mesmo desgastada tava menos pra chorar. Ela queria, tinha ido, ja sabia, mas não podia, não deixariam ela se exprimir. Ela pensou, carta passa, mensagem rasa, nao preciso paladar. Como faço, por onde passo, pra escapar? Escreveu, primeiro parágrafo. Ponto, espaço, não via mais tempo. Travessão.
Chegou na segunda frase desabafou: tenho gasto. Pâmela, escritora de ré-nome, fez questão de começar colocando a primeira. Só pensava em se movimentar, Pâmela não sabia onde ia chegar. As palavras, quando escritas, mudam. Realmente confesso que elas manipulam a boca ao falar por isso escrever. Pâmela não parava de escrever. Quando se dá a partida, ela empeçou, a coisa gira, já não está mais comigo, é alguém agindo por si. Essa sensação, sabida por todos, foi o que fez Pâmela parar. A mistura do escritor escrita deu no que tinha que dar. Ela levantou, pôr um copo dágua.
Voltou para o terceiro parágrafo mas já não sabia do que tratar. Lembrou da lispector quando começou assubiar. Os pássaros, nessas horas, trazem segredos raros. Lá das terras dos alémdosalém.
Acho que chegou alguém. Pâmela levanta, e desacorda umbilical.


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