5.2.16
Ele tem uma prateleira inteira de minúsculos seres, como os quais eu montarei minha vida. Ficarei gigante perante mim e minhas lágrimas serão como uma chuva salgada sobre todos os personagens que vivem aqui. Essa legião, de amor, dor, de cor, de vazios, intensidades, alegrias verdadeiras. Eu nem sei que vão comigo. Vão comigo sem eu saber. Povoam meus sonhos. Muitas das vezes tenho medo. Tenho mais medo do que costumo assumir, desse mundo subatômico, subliminar, submim, tão superior aos meus controles. Tenho medo e amor, porque amo o que a poesia já me deu. Pois já vivi felicidade de nuvem em que se deita num dia quente. Já descobri que fadas existem através de fábulas. Mas eu perco isso. Perco por ir atrás da receita da propaganda. Mesmo fingindo que não. Mesmo que alternativa. Mesmo não querendo. Só que a receita simplesmente não funciona. Tento, tento, sento pra chorar, por não chegar. Por não poder chegar na imagem impregnada da receita da propaganda. Não chega, porque o lá não está lá. Não chega, porque não há verdade na ideia desse lá. E faço apenas como uma criança querendo só e só acertar, esquecida que a beleza não tem nada a ver com acertos. Que tem uma magia mais sútil no existir. Difícil de nutrir, ainda mais nesse setênio.
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