8.4.16

parecia daquelas casas muito apertadas, quase sem nenhuma fatia de ar. sua cara era assim, fechada. mas era toda bonitinha nos acabamentos, tinha uma antiguidade possível. eu me apaixonei por ela. por sua beleza, mas também por sua tensão. não tinha nenhuma pretensão de conquistá-la, mas quando via, já esta lá, ao seu pé; lhe rodeando. queria ver se ela sorria. sorria a valer, as vezes. tinha uma alma de mundo. sabia muita coisa mesmo. eu sentava e ouvia. adoro contadores de histórias. um dia quis abraçá-la, mas ela não quis. sua solidão precisava de espaço. era curioso, e até mesmo didático, conviver com aquela construção. era uma velha ranzinza e sábia. não eram suas paredes, nem suas belas janelas, era mais sobre as trincas e a cor de seus metais. revelando lasquinhas de histórias que não seriam contadas. aquele mistério, aquela coisa quente que atrai e repele. tenho talento pra gostar de coisa assim.

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