Não foi a parede de chuva que nos separou, fomos nós mesmas. Grandes demais para continuar a caber uma dentro dos desejos da outra. Eu te fito, ainda te amo, mas já não há um casal entre nós. Aprendo a olhar esse amor que não tem nome. Ele não cabe na sociedade atual. Mas eu também nunca coube. Eu tenho coragem de vivê-lo. Porém com moderação. Já não me acho tão hippie, tão subversiva, tão inovadora. Mesmo assim gesto novos mundos, por pura força do hábito e instinto de sobrevivência.
Acordo na hora quieta da madrugada, me preparo um mingau e um café. Escrevo para me encontrar nessa longa estrada da vida. Eu me acho, mas não estou inteira.
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